09 setembro 2015

“UMA FOTO PARA CALAR O MUNDO”

Era um menino Sírio que tinha apenas três anos de idade, usava camisa vermelha, bermuda e tênis, parecia pronto para ir a um passeio. Cabelos pretos, penteados, boa aparência. Contemplando de longe, ainda parecia ter esperança.
Ele estava ali deitado na praia turca de Ali Hoca, no vilarejo de Bodrum, passava a impressão que dormia tranquilamente. Lindo! Possuía certa classe. Parecia que algum insensível o havia esquecido ali. Mas já estava sem vida, jazia de bruços na areia fria.

Ele se chamava Aylan Kurdi e buscava juntamente com sua família agarrar-se a uma chance de vida. O sonho terminou na praia, como aqueles castelos de areia que são derrubados pelas ondas do mar. Seu irmão Galip, cinco anos e sua mãe Rehan de 35 anos de idade também morreram na tentativa de sair da Turquia.

Segundo relato do jornal Telegraph, os três estão entre as 12 vítimas que morreram após um acidente com um barco, que os levaria até a ilha grega de Kos.

A cena chocou o mundo, foi o assunto mais comentado em todas as redes sociais onde se discutia a situação apelidada de: “A HUMANIDADE LEVADA SOBRE AS ONDAS.”

O Título é o do Jornal Italiano La Repubblica que reproduziu a imagem do menino Sírio no Twitter, intitulando-a "Uma foto para calar o mundo".
Uma fotografia mostrou o corpo de Aylan na praia, sendo resgatado por um policial, os pintores tentaram reproduzir em tela algo mais do que a imagem da criança morta.

Estamos tratando da maior crise de refugiados enfrentada pela Europa desde a Segunda Guerra Mundial.

A imagem provocou profunda comoção em todo o mundo! Foi mais impactante que todos os apelos feitos em busca da solução na crise migratória vivida, não apenas pelos sírios, mas também pelos afegãos e árabes.

A foto atraiu a atenção para crise migratória, foram transformadas em um garoto com asas de anjo, perto de uma muralha, nas mãos de Deus e dormindo em seu quarto.

Milhares de pessoas do Oriente Médio e da África morreram na tentativa de escapar das guerras e das perseguições.

De acordo com os jornais locais, a família de Aylan tentava ir para o Canadá. O objetivo da família não era ficar na Europa. Eles tentavam chegar ao Canadá porque lá vivia a irmã de Abdullah, pai de Aylan. O pedido de asilo dos quatro, no entanto, havia sido negado por autoridades do país, segundo a BBC.
O fato foi noticiado por jornais em todo o mundo.

O jornal espanhol El Mundo destacou que a foto "já faz parte do álbum migratório da infâmia."

O espanhol El País mostra "Uma imagem que estremece a consciência da Europa", enfatizando que a foto do menino simboliza a dimensão da tragédia diante da escassa resposta oficial à chegada dos refugiados.

A questão é que foi preciso morrer uma criança nas circunstâncias que morreu Aylan e achá-lo jogado naquela praia, para que o mundo despertasse para a forma como estão sendo tratados os refugiados.

"Se estas imagens com poder extraordinário de uma criança síria morta levada a uma praia não mudarem as atitudes da Europa com relação aos refugiados, o que mudará?", questiona o jornal britânico "Independent". As fotos são "um forte lembrete de que, enquanto os líderes europeus progressivamente tentam impedir refugiados e imigrantes de se acomodarem no continente, mais e mais refugiados estão morrendo em seu desespero para escapar da perseguição e alcançar a segurança". G1

Ademais, atravessar o Mediterrâneo é muito arriscado, principalmente pelo do tráfico de pessoas. Mas existem outros problemas enfrentados pelos refugiados, como a superlotação nas embarcações e a falta de segurança.

São relatados casos de crianças e adolescentes que viajam sem os pais, além de idosos que se aventuram em busca de abrigo. No calor, doentes, mulheres próximas de dar as luz, todos em busca de alguém que se compadeça.

Famílias inteiras buscando refúgio contra a guerra e a pobreza, idosos, gestantes, sofrem com extorsão, passando frio e fome.

Foi preciso uma criança morrer e sua foto chocar o mundo para que essas pessoas fossem lembradas e o problema levado a sério em todo o mundo.

Existe a polêmica ainda da exposição da foto da criança, pois a mesma tem seus direitos amparados por Lei.

A Folha Uol publicou que “a divulgação da imagem ou não, não se reflete especificamente sobre o direito dessa criança, mais sim sobre o debate necessário da situação de violência e vulnerabilidade, como é a dos refugiados.”
O jornalista Eder Chiodetto, ex-editor de Fotografia da Folha e curador, defende divulgação.

“Uma coisa seria publicar essa imagem caso o garoto tivesse morrido acidentalmente na praia. Mas aqui se trata de uma situação absurda, em que pessoas aos milhares estão fugindo desesperadamente de sua própria nação por causa de uma situação de opressão, de ameaça à integridade”, disse o jornalista.

É doloroso olhar a foto, não dá para contemplá-la por muito tempo sem encher os olhos de lágrimas, principalmente pelos relatos da tia e fotos que também foram postadas dos irmãos brincando e rindo no sofá da sala.

“Segundo a gazeta do Povo, a tia dos meninos, Teema Kurdi, é cabeleireira em Vancouver, e soube notícia por Ghuson, esposa de seu irmão Mohammad. “Ela recebeu um telefonema de Abdullah, e tudo que ele disse foi: ‘minha esposa e meus dois meninos estão mortos’”, disse ao ‘National Post’”.

A guerra da Síria já dura quatro anos, somando mais 250.000 mortos e 23 milhões de deslocados.

A revista Exame traz relatos de adolescentes e perguntado para um deles sobre que mensagem que gostaria de mandar para o mundo, o menino respondeu:

"A minha mensagem? Por favor ajudem os sírios. Os sírios precisam de ajuda já. Parem simplesmente com a guerra. Nós não queremos ir para a Europa. Apenas parem a guerra na Síria, só isso”.

Será que o grito do pai do menino sírio será ouvido no mundo: “escaparam de minhas mãos...”

Ele estava falando da sua família. A tão propagada foto era de Aylan Kurdi, seu filho.

Um menino Sírio, vítima da crise migratória em decorrência da persistência da guerra na Síria, que se tornou “O ROSTO DOS REFUGIADOS”.

*Advogada, Juíza Arbitral, Personalidade da Amazônia e Personalidade Brasileira. Twitter@dolanePatricia_