Procura-se uma prefeita. A desaparecida atende pelo nome de Tânia Britto
(PP), gestora do município de Jequié, na região do Médio Rio de Contas.
Desde que a Câmara de Vereadores aprovou na última terça-feira (1º) a
admissibilidade do seu pedido de impeachment (veja mais aqui), a
prefeita não é encontrada pelos edis para ser notificada sobre a
abertura da ação, como manda a legislação sobre impedimento de mandatos.
Segundo vereadores do município ouvidos pelo Bahia Notícias nesta sexta
(4), buscar a gestora em seu gabinete tem sido em vão nos últimos dias.
Em sua residência, ninguém passa da guarita do condomínio: as ordens
são expressas para não deixar ninguém entrar. De acordo com o presidente
da comissão responsável pelo impeachment, vereador Tinho (PV), o sumiço
de Tânia é um mistério. “A Câmara foi até a prefeitura levar a
notificação, ela não foi encontrada. A gente é barrado na porta do
condomínio, dizem que não tem autorização dela para ter acesso. Algumas
pessoas dizem que ela não se encontra em Jequié. Ninguém sabe informar a
agenda dela.
A assessora não se encontra. Não há informações sobre o
paradeiro dela”, relatou. Ainda segundo o vereador, se a prefeita não
for encontrada para ser notificada sobre o andamento do processo de
impeachment, a comissão vai seguir com ele. Para Tinho, o sumiço da
chefe do Executivo Municipal é uma manobra para postergar o rito da
ação. “A prefeita não quer facilitar. Quem não deve, não teme. Qualquer
prefeito de boa fé já teria aparecido”, critica.
Na avaliação do
vice-prefeito do município, Sérgio da Gameleira (PSB), um dos principais
opositores da gestora desde que rompeu as relações com ela há um ano e
meio e que tenta viabilizar candidatura à prefeitura nas eleições do ano
que vem, o desaparecimento dela também é uma forma de obstruir o
processo. “Isso é uma estratégia para dificultar o andamento do
processo. Se ela é isenta de culpa, deveria se apresentar, preparar sua
defesa”, opinou. Quem também engrossa o coro contra a prefeita é o
vereador Joaquim Caires (PMDB), líder da oposição na Câmara. Segundo
ele, “o clima na cidade é de uma expectativa imensa pela saída” e as
chances de os vereadores votarem pelo impeachment de Tânia são grandes.
“O clima dentro da Câmara expressa o sentimento da população. A
tendência na Câmara é de votação pelo impeachment dela”, cravou. Na
Cidade Sol, o sumiço da gestora virou motivo de piada. Nas redes
sociais, circulam memes com a falta de informações sobre o paradeiro
dela. Procurada pelo Bahia Notícias, Tânia Britto não atendeu e nem
retornou às ligações. (BN)
