A médica mineira Iara Clementino Sanches Brandão, 26 anos, que foi
vítima de injúria racial no sábado (5/12) na cidade de Ipiaú disse que
não vai dar continuidade ao inquérito que apura o caso. Apesar de o
documento já ter sido encaminhado à Justiça, nesta segunda-feira (7),
Iara, que é clínica-geral, decidiu perdoar Alighiere Estevão Lima, que a
chamou de “preta, feia, pobre e pequena” após colidir contra seu carro,
na frente do hospital onde estava de plantão. Ele acabou preso em
flagrante.
Segundo Iara, depois que o pai de Alighiere, José Raimundo
Lima, reprovou a atitude do filho em sua página no Facebook e ter
explicado que o agressor sofre com depressão e costuma ingerir bebida
alcoólica fazendo uso de medicação, ela decidiu perdoa-lo. “O pai dele é
uma pessoa excepcional, muito educada e mostrou-se indignada com o que
filho fez. Além disso, ele (Alighiere) é uma pessoa digna de pena.
Precisa fazer tratamentos e, por isso, eu, como médica, não podia seguir
em frente”, declarou. Iara compareceu na manhã desta segunda à
Delegacia de Ipiaú, onde formalizou sua decisão ao delegado Ivan Lessa.
O
documento foi anexado ao inquérito e caberá o parecer da Justiça. “Ele
foi indiciado por injúria racial, dano ao patrimônio público e por
conduzir veículo sob efeito de substância alcoólica”, explicou o
delegado. Alighiere foi liberado após pagamento de fiança de dois
salários mínimos. Na delegacia, Iara encontrou José Raimundo. “Ele
tornou a se desculpar, garantiu que vai pagar meu carro e me entregou
uma carta assinada pelo filho com um pedido de desculpa”, disse. Natural
de Virgolândia (MG), Iara formou-se em Medicina pela Universidade de
Itaúna (MG) e há nove meses está na Bahia, onde trabalha no Hospital
Geral Prado Valadares e em uma Unidade Básica de Saúde em Jequié. No
sábado, ela trabalhou para um colega em um hospital particular em Ipiaú,
onde ocorreu o incidente. Com informações publicadas no Correio*
